Diesel chega a quase R$ 8 em Santa Maria e postos relatam dificuldade de reposição

Diesel chega a quase R$ 8 em Santa Maria e postos relatam dificuldade de reposição

Foto: Vinicius Becker

O mercado do óleo diesel em Santa Maria vive um momento de instabilidade marcado por aumento de preços, restrições na liberação do combustível e preocupação com possível desabastecimento. A situação já afeta postos de combustíveis, transportadoras, produtores rurais e até serviços públicos da região central do Rio Grande do Sul.
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Para entender o cenário atual, a reportagem realizou uma pesquisa em diferentes postos da cidade nesta segunda-feira (16) e conversou com representantes do setor de transporte, comércio de combustíveis e produção agrícola.

O levantamento mostra diferenças significativas de preços entre estabelecimentos e relatos de dificuldade de reposição do produto, indicando que o mercado opera sob forte pressão nas últimas semanas.

Pesquisa da reportagem mostra variação de preços e falta de produto
A pesquisa feita pela reportagem nesta segunda-feira (16) identificou diferenças superiores a R$ 1 entre postos da cidade, além de casos em que o diesel está indisponível por falta de reposição.

  • Posto Central – Rua André Marques, 500, Centro
    O posto ficou de quarta-feira (11) até domingo (15) sem diesel e recebeu apenas 3 mil litros nesta segunda-feira (16).
    Diesel S-10: R$ 6,59
    Diesel S-500: Não vendem pois está em área urbana
  • Posto Dutra – Avenida Nossa Senhora Medianeira,
    Diesel S-10: R$ 6,90
    Diesel S-500: R$ 6,95
    Receberam 5 mil litros de diesel no domingo (15).
  • Posto Charrua – RSC-287, Cerrito
    Diesel S-10: R$ 7,19
    Diesel S-500: R$ 7,09
  • Postos JP Santa Lúcia – RS-509, KM 3
    Diesel S-10: R$ 7,39
    Diesel S-500: R$ 7,69
  • Posto Pillon – Avenida Pedro Cezar Saccol, Agroindustrial
    Diesel S-10: R$ 7,99
    Diesel S-500: R$ 7,89 
    O estabelecimento está sem diesel desde domingo (15) e não possui previsão de abastecimento.

O levantamento aponta que o diesel S-10 pode variar de R$ 6,59 até R$ 7,99 na cidade, dependendo do posto e da disponibilidade do combustível.

Procon monitora aumentos
Diante da escalada de preços, o Procon de Santa Maria iniciou um monitoramento detalhado da cadeia de distribuição de combustíveis na cidade. Segundo a coordenadora do órgão, Márcia Moro, as distribuidoras foram notificadas na última semana para explicar a movimentação de preços.

— Estamos analisando notas fiscais, livros de movimentação e comparando os valores de compra e venda. Precisamos entender se os aumentos têm justificativa — explicou.

Possível risco de desabastecimento preocupa setor
Apesar de ainda não haver falta generalizada de diesel na cidade, empresários afirmam que o mercado opera em estado de alerta. Estimativas do setor indicam que o Brasil teria estoque de diesel para cerca de 15 dias, caso as importações continuem sendo afetadas. Se o cenário internacional continuar instável, a tendência é de novos aumentos e restrições, afetando diretamente setores estratégicos como transporte, agricultura e serviços públicos.

Empresários relatam restrições de abastecimento
Além da variação de preços, empresários relatam que as distribuidoras passaram a limitar o volume de combustível liberado para compra.

Em entrevista ao programa Bom dia, Cidade, no início de março, o diretor da rede de postos Ferrari, Henrique Portella, o mercado vive um momento de grande incerteza.

— Desde o início do mês as companhias começaram a colocar os combustíveis em restrição. Se você pede 10 mil ou 15 mil litros, muitas vezes liberam no máximo 5 mil, quando liberam — afirmou.

Ele explica que parte da pressão sobre o mercado ocorre porque muitos consumidores estão antecipando compras com receio de desabastecimento.

Veja a entrevista completa abaixo

 
— A base da Ipiranga em Santa Maria costuma carregar cerca de 20 a 30 caminhões por dia. Em um dos dias recentes havia cerca de 80 caminhões esperando para carregar — relatou.

Transportadoras também sentem impacto
O aumento do diesel também pressiona as empresas de transporte, que dependem diretamente do combustível para operar.

O presidente do Sindisama, Paulo Rogério Brondani, afirma que as transportadoras estão recebendo apenas parte do volume solicitado.Segundo ele, em cerca de 20 dias o diesel S-10 vendido pelas distribuidoras subiu de aproximadamente R$ 5,38 para cerca de R$ 6,10.

— A gente pede um volume e, quando vai carregar, a distribuidora corta pela metade. Além disso, o preço muda quase todos os dias. Quando o diesel sobe, inevitavelmente isso acaba chegando ao valor do frete e depois ao preço final dos produtos — explicou.

Transporte coletivo também monitora cenário
Em Santa Maria, o setor de transporte coletivo acompanha a situação com preocupação. O diretor da Associação dos Transportadores Urbanos (ATU), Edmilson Gabardo, afirmou que o preço do combustível subiu cerca de R$ 2 por litro em poucos dias. Segundo ele, além da alta, alguns fornecedores passaram a trabalhar com listas de espera para liberação do produto.

Confira a entrevista

  
Nós estamos pagando cerca de R$ 7,30 o litro do diesel, sendo que na semana passada estava em torno de R$ 5,30 ou R$ 5,40. Colocamos o pedido e ficamos aguardando. Quando aparece produto, eles ligam e dizem que têm apenas parte do volume solicitado — relatou.

Alta do petróleo influencia preço do diesel
O aumento do combustível está ligado ao cenário internacional. A escalada do preço do petróleo ocorreu após o aumento das tensões no Oriente Médio, que impactaram o mercado global. O barril do petróleo tipo Brent chegou a ultrapassar US$ 117, antes de recuar para cerca de US$ 100. Um dos fatores que pressionaram o mercado foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

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